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mIRC

por Samuel Garcia Portugal, em 16.06.16

O mIRC... não faço ideia da idade do público deste blog. Muitos, especialmente os mais novos, podem não fazer ideia do que era/é o mIRC.

mIRC quer dizer Microsoft 'moo', ou talvez MU Internet Relay Chat (eu achava que o 'm' era de Microsoft, mas fui corrigido). Basicamente era onde as pessoas conversavam antigamente. Antes de haver msn Messenger, Skype, Facebook Messenger, WhatsApp e outras coisas.

Hoje em dia não existe nada como o mIRC, não exatamente como era. Existem outras plataformas que permitem fazer o que muita gente lá fazia. O mIRC tinha uma combinação de Chatroulette com Messenger, mas era muito mais do que isso.

O mIRC tinha "salas". Cada sala tinha um tópico. Normalmente as salas eram abertas e podia lá entrar qualquer pessoa. Cada sala tinha ops e voices, que eram as pessoas que moderavam as conversas. Podíamos lá estar simplesmente na conversa de um tópico, ou começar a conversar diretamente com uma pessoa.

"oi! dd tc?" -> Oi! De onde teclas?

Deve ter sido das frases mais escritas no mIRC.

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Eu usava o mIRC como modo de conhecer pessoas novas. Os canais não me fascinavam muito e por isso ia tentando meter conversa com as pessoas que estavam em algumas salas.

A esperança era conhecer raparigas, claro! Às vezes também ficava a conversar com rapazes. Mas as raparigas eram muito "fechadas" e muitas vezes não se conseguia conversar nada de jeito com elas.

Foi a partir de então que uma brincadeira na escola me deu uma ideia para me entreter enquanto estivesse em casa. Passei a fazer-me passar por rapariga. Criei um alter ego, com um nome (já não me lembro qual era), e muitas vezes fazía-me passar por rapariga. A certa altura muitas pessoas com quem conversávamos pediam fotos... Nessa altura tive de improvisar e ir buscar fotos de uma rapariga qualquer do hi5 (que era o Facebook da época) e usava várias fotos da mesma pessoa para dar mais credibilidade.

Nunca marquei encontros nem nada do género. A minha intenção era tentar descobrir um pouco mais sobre o mundo feminino. Fazer com que as raparigas se abrissem mais com outras raparigas. Muitas vezes também acabava por ficar a conversar com rapazes para tentar saber quais as taras do pessoal. Há gente muito maluca e preversa neste mundo (e eu sabia que já estava incluido numa fatia dos malucos, mas era uma criança diante de certas coisas que lia).

Uma das coisas interessantes foi quando descobri que muito provavelmente, várias das raparigas com as quais conversei eram rapazes. Imaginem o ridículo da situação: dois rapazes a fazer-se passar por raparigas para descobrir o mundo delas.

Mesmo quando depois surgiu o Messenger, e por vezes as conversas saltavam do mIRC para lá, eu criei uma conta específica do meu alter ego feminino para essas conversas.

Muitas destas coisas foram estúpidas, eu sei. Mas acabei por conseguir ajudar pelo menos uma rapariga. Alguém a quem eu revelei a minha identidade quando percebi que provavelmente não estava a fazer as melhores escolhas para a vida dela. Quero acreditar que a ajudei e que fiz diferença. Um dia conto essa história.

Quanto ao mIRC... da última vez que lá fui o canal mais populado era um canal de engates gay. Nada contra ;)

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Telhados de vidro

por Samuel Garcia Portugal, em 02.06.16

A minha primeira namorada mais a sério chamava-se Daniela. Eu tinha 18 anos e estava a acabar o primeiro ano da faculdade.

Ela tinha 17 e estava a acabar o 12º ano, que só conseguiu à segunda tentativa por causa de Matemática.

Depois de nos conhecermos, rapidamente começamos a namorar. As coisas foram evoluindo normalmente e depois do primeiro beijo vieram os primeiros apalpões, as primeiras tentativas de avanços mais ousados, sobretudo da minha parte...

Fui descobrindo algumas coisas acerca do passado dela conforme fomos avançando na nossa relação e avançando pelos nossos corpos. Descobri que já tinham mexido na sua intimidade, mas que ela nunca tinha mexido nem tocado na intimidade dos namorados anteriores. Depois descobri que, mais do que mexer, já lhe tinham feito um minete... Nessa altura da minha vida nunca tinha feito nenhum. O primeiro foi com ela. Muitas das minhas primeiras coisas foram com ela.

Ela mostrava-se sempre uma rapariga um pouco tímida em relação a esses assuntos, embora com abertura suficiente para que as coisas fossem avançando. Com alguns meses de namoro fomos falando sobre a nossa primeira vez, mas ela dava a entender que ainda não estava preparada e que precisava de mais tempo.

Sem problemas dei-lhe esse tempo. Nunca quis que ela fizesse nada cedo demais por pressão. Na minha ideia ela podia ser a minha futura mulher. Nunca fui gajo de pensar em "comer este mundo e o outro", antes pensava sempre em encontrar alguém com quem pudesse assentar e rapidamente construir uma família, ser pai relativamente cedo, etc.

Certo dia uma conversa surgiu, não sei o que levou a tal, provavelmente foi a falar da juventude de hoje em dia, de como as raparigas eram cada vez mais oferecidas... Também abordámos o facto de muitas se preocuparem mais com aquilo que parecem aos outros do que com aquilo que realmente são. A conversa tocou no assunto da sexualidade.

Resolvi mencionar um assunto que já tinha ouvido algumas vezes, e que sabia acontecer no "mundo real". Existem raparigas que, para poderem avançar na sua sexualidade, mas não perderem a "virgindade", ou o que elas chamam de virgindade, davam o rabinho aos namorados/parceiros/amigos. Assim eles ficavam satisfeitos, elas também, e não se rompia nada. Comentei como isso me parecia uma hipocrisia e que na verdade a virgindade não se "mede" apenas por um hímen rompido.

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A Daniela não se manifestou muito durante algumas partes da conversa, o suficiente para ter percebido, mas não o suficiente para não me preocupar com isso. Deixei-a em casa nesse dia e passado pouco tempo de ter ido embora ela diz-me que tinha algo para me contar. Eu comecei a desconfiar que teria algo a ver com a conversa e perguntei porque não tinha dito nada enquanto ainda estávamos juntos. Ela disse que não tinha coragem e então contou...

"Sabes, já fiz sexo anal com um ex-namorado meu. Tinha cerca de 15/16 anos. Ele queria muito fazer sexo comigo e eu não estava preparada, mas não o queria perder, então acabei por fazer isso."

Fiquei preplexo... As mulheres conseguem sempre arranjar algo para me surpreender, não é? Não levei muito tempo a pensar nisso nem a julgá-la. Valia o que valia, mas ela parecia envergonhada com aquilo. Não é o mesmo que arrependida, mas pronto.

Depois fiz-lhe mais algumas perguntas. Percebi que tinha sido num balneário do colégio onde ela andava, porque o rapaz tinha chaves e acesso aquilo. Para ela não tinha sido muito bom e pelos vistos só o fez uma vez.

Não posso dizer que isso tenha afetado o nosso namoro. Não afetou. Mas penso muitas vezes o que aconteceria se fosse ao contrário. Uma situação idêntica em que é o homem que é colocado na posição de "inferioridade"... quantas vezes eu não iria levar com aquilo na cara, com aquele argumento.

Sabem que mais? Telhados de vidro...

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publicado às 16:00

Isabel e a mensagem

por Samuel Garcia Portugal, em 27.05.16

Depois de ums posts mais lights, voltamos às histórias de... "amor"

Lembram-se da Isabel?

A Isabel foi aquela rapariga que conheci no aniversário de uma colega minha, quando fomos ao cinema. Eu tinha 15 anos, ela tinha 12.

Como contei na altura criou-se logo uma empatia muito grande entre nós os dois e, depois de termos conseguido os números de telemóvel um do outro, passávamos a vida a mandar mensagens um para o outro. Falávamos um sobre o outro, aproveitámos para nos conhecer um pouco melhor, da maneira que dava para ir conhecendo.

A internet ainda não era tão facilmente acessível nem tão usado como meio de comunicação entre jovens, por isso as mensagens eram o método de mais fácil.

Muitas vezes nas nossas mensagens falávamos sobre estarmos juntos, quando isso poderia acontecer, o que iríamos fazer, como iríamos reagir... Havia toda uma fantasia em redor desse momento. Eu continuava bastante ingénuo no que diz respeito a "relacionamentos". Não sabia bem o que esperar.

Certo dia estava em casa, lembro-me que estava a ajudar o meu pai a fazer uma coisa no computador, e não tinha propriamente muito tempo livre para andar a trocar mensagens, especialmente com o meu pai ao lado. Mas para ela arranjava sempre maneira. Até que, no meio da nossa conversa, ela manda a seguinte mensagem:

Posso fazer uma pergunta?

Esta é aquela frase que sabemos que trás água no bico. Alguma coisa de bom não vem aí... Imensos pensamentos inundaram-me a cabeça mas não conseguia encontrar algo que pudesse fazer sentido. Como é natural respondi-lhe:

Claro que podes! O que queres saber?

Nada me preparava para a resposta dela. E quase me caiu tudo quando abri a mensagem seguinte:

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Tu masturbas-te?

Eu o que? Mas espera, quantos anos tem ela? 12? Eu acho que quando tinha a idade dela nem sequer sabia o significado dessa palavra em específico. Fiquei em choque, nem sabia bem o que responder, mil sensações e pensamentos me vieram à cabeça. Aquela rapariga estava muito mais "à frente" que eu e era bem mais nova. Só me ocorreu responder.

Sim. Tu também o fazes?

Fiquei na expectativa. Com o coração a mil e a ter de ficar ali a ajudar o meu pai... Escapava-me quando podia, mas não estava totalmente livre... Enquanto a minha cabeça continuava sem parar ela respondeu-me.

Eu também! Vamos trocar mensagens para nos excitarmos um ao outro?

Mais um choque! Tu queres fazer o que? Tudo aquilo para mim era território novo. Ela acabava de abrir novos caminhos para eu explorar na minha sexualidade. E naquele momento o meu pai tinha-me chamado, estava quase impossível fazer aquilo. Fui tentando mandar mensagens quando podia... Estava a descobrir o que era o sexting sem sequer conhecer essa palavra. "Anda lá pai, despacha-te que eu tenho aqui umas mensagens para trocar", pensava eu. Aquilo parecia uma eternidade, mas eu tentava manter a conversa a rolar. Eis que fiquei livre e disse:

Pronto, agora já estou mais disponível...

Naquela altura o meu coração já palpitava ansiosamente pela resposta... Queria por todos os meios dar continuidade aquela experiência. Ela respondeu:

Demoraste muito. Agora já tratei do assunto. Mas podemos continuar a falar.

Eu não sabia bem o que pensar. Um novo mundo de curiosidade tinha sido aberto na minha mente. Naquela idade já sabia relativamente bem o que queria, já sabia bem o que sentia. Já sabia perceber o que me excitava numa rapariga, já tinha fantasias sobre o que podia fazer com elas... Nunca tinha pensado na sexualidade da perspectiva de uma rapariga. Um mundo novo se tinha aberto para mim, milhares de perguntas flutuavam na minha mente.

Nas semanas seguintes as nossas conversas giraram em torno daquele tema. Eu só queria ter oportunidade de fazer aquilo outra vez, sem interrupções, explorar aquele mundo novo.

As conversas foram evoluindo. Em algum tempo passamos das mensagens aos telefonemas. Ela telefonava-me para casa, quando eu estava sozinho, e fazíamos a mesma coisa mas por telefone. Alguém que era significativamente mais nova que eu (tendo em conta a idade que tínhamos) estava a mostrar-me coisas que eu não conhecia, que nunca tinha sequer ouvido falar.

Ao longo do tempo ela nunca deixou de me surpreender e houveram mais algumas mensagens dela que me continuaram a deixar sem reação, nomeadamente:

Quero-te fazer um broche!

Como? Mas as raparigas agora é que tomam todo este tipo de iniciativa? Será que sou eu que me dou com as raparigas erradas? - Isto era tudo o que eu conseguia pensar naquelas alturas.

Em relação a esta última mensagem, ela depois explicou-me o motivo de tal vontade durante uma das nossas conversas telefónicas. Nada que me deixasse menos escandalizado mas, segundo ela, e aí não por estas palavras porque ao telefone a vergonha era outra, explicou que já lhe tinham feito um minete (sim, leram bem...) e ela tinha ficado com vontade de experimentar o inverso, de retribuir... Volta e meia ela mandava-me essa mesma mensagem, não necessariamente com as mesmas palavras, mas com o mesmo sentido.

A nossa história continuou por mais alguns anos, com altos e baixos, e com mais alguns momentos que valem a pena serem contados mais tarde...

 

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Vergonhas de criança

por Samuel Garcia Portugal, em 24.05.16

Eu tinha 8 anos, foi por volta de 1995. Estava no Algarve com a minha família de férias, e uns tios e primos também. Naquela altura o meu pai gostava de explorar todas as praias do Algarve e, dois tios meus e um primo gostavam muito da pesca. Todos esses fatores conjugados fizeram com que fossemos para perto da ponta de Sagres.

Uma revista (talvez a Visão) fez um artigo sobre praias interessantes e relativamente desconhecidas, e fez uma ótima recomendação da Praia do Barranco que ficava perto da ponta de Sagres.

Hoje em dia não sei, mas naquela altura, praticamente desde que se saía da N125 até à praia, que o caminho não era asfaltado, era tudo em terra batida (mal batida, o caminho era horrível). Mas lá chegámos. A praia até era agradável, tinha pouca gente e era vigiada.

Lembro-me de ter passado um bom bocado e de ter aproveitado bem a água. A minha mãe sempre foi um pouco apreensiva em relação ao mar e, segundo ela, aquele mar parecia um pouco traiçoeiro, porque aquilo fazia uma espécie de baía e, de vez em quando, o mar ficava mais agitado, com ondas bastante grandes.

Durante a tarde, numa altura em que me encontrava a divertir na água com a minha "pseudo-prancha" de bodyboard, a minha mãe achou que eu estava há tempo demais na água e pediu ao meu pai para me ir chamar e tirar da água. O meu pai com o seu "espírito jovem", e para não me querer estragar muito a diversão, disse que era a vez dele de experimentar a prancha e disse para eu ir buscar a câmara de filmar (na altura filmávamos tudo), para o filmar nas suas.... manobras.

Eu assim fiz e lá estive a filmar o meu pai durante algum tempo. E ele parecia mesmo divertido com aquilo, ao ponto de ter ido mesmo para longe e eu quase já não o conseguir apanhar com a câmara. Já estava com o zoom no máximo e volta e meia ia tentando filmar o que apanhava. A certa altura ele tenta gritar-me (julgava eu) alguma coisa que não percebi bem o que era. Achei que era ele a relembrar-me de o filmar, e lá gritei eu de volta "Eu estou a filmar"...

Hands-Drowning-Sea.jpg

 

Eis senão quando vejo o nadador salvador a entrar na água com a sua enorme prancha. Sendo que o meu pai era a única pessoa que estava na água naquela altura, qual foi o meu pensamento? "Olha, este acha que o meu pai se está a afogar ou assim e ele só está a pedir para eu o filmar". E este foi o meu pensamento por poucos instantes, até olhar para trás e ver a minha mãe e a minha irmã a virem para a minha beira já a chorar e aos berros. Aí percebi que, se calhar, o nadador salvador tivesse razão.

Eu fui acalmando a minha mãe com a minha sabedoria de 8 anos, e o nadador salvador trouxe o meu pai de volta para a areia. Deu-lhe um raspanete, dizendo que se não sabia o que estava a fazer com a prancha para não o fazer. E fê-lo saltar para a enorme prancha dele, onde estavam os dois, e fez também o meu pai dar aos braços para chegar até à areia como forma de castigo.

Tudo acabou bem, mas eu não deixei de guardar esta vergonha de ter pensado que toda a gente estava enganada menos eu. De qualquer forma aguentei-me feito um homem... bom, pelo menos até acabar toda a situação. Cerca de uma hora depois devo ter "caído em mim" e desatei a chorar porque nem fui capaz de me aperceber que se calhar o meu pai estava em dificuldades...

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Fui enganado...

por Samuel Garcia Portugal, em 16.05.16

Estava no terceiro ano da faculdade. Sempre gostei de futebol/futsal, jogava regularmente com amigos e até tinhamos uma equipa (muito fraquinha) que participava nos torneios da faculdade.

A determinada altura, a Powerade começou a ter um passatempo onde oferecia presentes aos melhores classificados num concurso que eles tinham, do tipo quiz. Contava se a resposta estava certa ou errada, e contava a velocidade com que cada pessoa respondia às perguntas.

E eis que eu me apercebo de uma coisa. Era possível subverter o sistema. As perguntas eram as mesmas para todos os utilizadores, apesar das perguntas e as respostas poderem vir numa ordem diferente. Bastou-me portanto criar um utilizador secundário, ver todas as perguntas e anotar as repostas de antemão. Depois, com o meu utilizador real, responder (sempre acertadamente) o mais rapidamente possível.

Os rankings eram mensais e eu estava em primeiro lugar para receber o prémio daquele mês (uma bola de futsal). Mas entretanto recebi um e-mail que me deixou deveras preocupado...

 

From: no-reply@powerade.pt

Carissimo(a) usuario(a):

Devido a recentes investigacoes, foram descobertas actividades fraudulentas no contexto no concurso corrente, referente ao mes de Abril.
A sua conta foi considerada perigosa. Por estes motivos esta conta sera banida da Liga Powerade.

As autoridades competentes tratarao do caso daqui em diante.

A administracao da Liga Powerade.

Comentei com os meus colegas, eles diziam-me para ter cuidado, que se calhar ia ter problemas.

handcuffs-lg.jpg

 

Andei uns dias em que não conseguia parar de pensar naquilo. Apesar de ter subvertido o sistema, não tinha feito nada de ilegal. No máximo podiam excluir-me dos prémios, mas nunca poderiam exercer nenhuma ação judicial sobre mim (ou era essa a minha dúvida).

Eis que um colega meu, vendo a minha angústia, resolveu dar a entender que se calhar não tinha sido a Powerade a enviar aquilo...

E não tinha sido mesmo. Tinham sido os meus colegas para me apanhar numa brincadeira. "Mas como? Se o e-mail veio de um endereço da Powerade?" perguntam vocês?

Nessa semana, na aula prática de uma das disciplinas que tínhamos, estavamos a aprender a usar comandos SMTP para enviar e-mails. Pondo isto em linguagem mais simples, se tivessemos acesso a um servidor SMTP (um tipo de servidor específico de envio de e-mails), podíamos enviar o e-mail em nome de quem nos apetecesse. Hoje em dia, os vários clientes de e-mail, e o próprio gmail já assinalam este tipo de e-mails como sendo possivelmente fraudolentos (não necessáriamente SPAM), e indicam que não conseguiram confirmar o destinatário, mas naquela altura não.

Os meus colegas tinham essa aula à terça-feira e eu só a teria à sexta-feira, pelo que eles tinham tempo para me deixar aqueles dias na dúvida. Descobri antes disso, mas efetivamente fui enganado durante alguns dias.

P.S. Ainda tenho a bola da Powerade lá em casa :D

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publicado às 14:26

Soraia, o namoro que nunca chegou a ser

por Samuel Garcia Portugal, em 05.05.16

Neste post falei da Soraia assim de passagem.

A Soraia é uma rapariga que conhecia da catequese. Sim, fiz a catequese até ao fim e cheguei a ajudar a dar catequese. Nunca foi uma rapariga pela qual me tivesse alguma vez sentido particularmente atraído. Sempre foi uma amiga... comum.

Em determinada altura, a Soraia teve de ser submetida a uma intervenção cirúrgica de algum risco mas em que tudo correu bem. O pessoal da catequese, no qual me incluo, assim como o nosso catequista, fomos visitá-la ao hospital depois dessa intervenção. Ela estava fraquinha, mas estava bem. Conversava e parecia bem disposta. E não sei exatamente o que aconteceu, mas alguma coisa despertou em mim um interesse por ela. Até hoje não sei o que terá sido. Como foi a primeira vez que estivemos juntos fora do ambiente da catequese pode ter ajudado, mas nem sequer estivemos sozinhos.

Senti o que senti, e refleti um pouco sobre aquilo. Achei que nunca ia dar a lado nenhum, porque poucas vezes estávamos juntos, porque ela nunca se interessaria por mim. Pouco tempo mais tarde, comentei com a minha amiga Luciana aquilo que tinha sentido, o que me tinha passado pela cabeça. A Luciana era das melhores amigas da Soraia, e andava comigo na escola e na catequese, e por isso estávamos mais tempo juntos. A Luciana foi uma boa ouvinte e é capaz de ter dado alguns conselhos, mas aquilo morreu por ali. ...pensei eu.

Toda esta parte da história, passou-se mais ou menos em janeiro e entretanto aquilo foi passando até que praticamente me esqueci do que tinha passado.

No início de março, recebo uma SMS no meu telemóvel que me deixa perplexo. E é incrível como há pormenores que ficam claramente gravados na nossa memória. Lembro-me que era uma quarta-feira, que estava um dia chuvoso, estávamos à espera do início de uma aula de Educação Física que não sabíamos se íamos ter, e eu olho para o meu Ericsson T10s roxo, e tinha uma mensagem que dizia mais ou menos o seguinte: "Desculpa, mas não consigo esconder mais isto. Estou apaixonada por ti."

Eu fiquei perplexo a olhar para aquilo, e acho que nem tinha a certeza de quem era o número, mas depois comecei a juntar as peças (talvez a mensagem viesse assinada), e fui falar com a Luciana. Ela confirmou que tinha sido a Soraia a enviar a mensagem. Que na altura da cirurgia, a Soraia tinha tido uma conversa com ela idêntica à que eu tive, e a Luciana contou à Soraia o que eu tinha dito, mas eu nunca soube de nada. A Soraia na altura não quis desenvolver mais nada, vá-se lá saber porque, e naquela altura resolveu mandar aquela mensagem.

Fomos conversando por SMS, aquilo que eu tinha sentido em janeiro reacendeu, e lá começámos o "namoro" por SMS.

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Por diversas questões não tivemos oportunidade de estarmos juntos antes de eu partir para o Brasil. E no Brasil já todos sabem o que se passou por aquele post.

 

.... (pausa para reflexão)

 

Quando voltei não conseguia deixar de pensar na Maria e, entretanto, lembrei-me que tinha de falar com a Soraia. Não fazia sentido continuar aquilo, até porque tudo o que eu eventualmente tinha sentido por ela se tinha desvanecido na imensidão do que foram os sentimentos daquelas 3 semanas no Brasil.

A Soraia por sua vez não desistiu facilmente, insistiu que podíamos tentar na mesma. Como ela também tinha ido de férias para Vigo com amigos naquele período, confessou-me também que me tinha "traído" com alguém. Mas que não fazia mal, que podíamos tentar. Eu não tinha cabeça, não queria pensar naquilo.

Ela acabou por desistir e isso passou.

Como acaba esta história? Passado alguns meses, poucos, a Soraia começa a namorar com um rapaz chamado Tomás. E com cerca de seis meses de namoro vem-me perguntar se eu achava que ela devia perder a virgindade. (Sim, estas coisas aconteciam-me). Eu fiquei estupefacto e disse que ela é que tinha de saber se estava preparada. Perguntei igualmente porque ela não falava com a Luciana que era muito mais amiga dela e certamente teria uma palavra mais sábia, ao que ela me respondeu que sabia qual seria a resposta da Luciana (dir-lhe-ia para não fazer isso), e por isso me perguntou a mim, porque era a única outra pessoa com confiança para o fazer.

Ela não resistiu muito mais tempo e lá "perdeu os três" com o Tomás. Mais tarde ela vem-me contar sobre ocasiões em que não tinha usado proteção, e pelos vistos ela não tomava a pílula... Pelo que tomou uma Pílula do dia seguinte. Comentei com a Luciana estas situações, e ela mostrou-se conhecedora do que se passava. Disse-me inclusivamente que não era a primeira vez que isso acontecia.

Conclusão? Passado uns seis meses ela diz que tem algo para me contar: Surprise, surprise!! Estava grávida.

Casou com o Tomás ainda durante a gravidez e tiveram a criança, que deve ter uns 12 anos. Penso que ela ainda está casada com ele, mas o contacto entre nós foi-se desvancendo muito ao longo dos tempos e não sei o que é feito dela agora.

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A minha primeira "namoradinha"

por Samuel Garcia Portugal, em 29.04.16

Hoje em dia não sei se o que eu tenho em mente corresponde à realidade, mas durante muitos anos acreditei que era. E o que eu tinha em mente é que na primeira classe tinha umas cinco raparigas que gostavam de mim (e elas eram dez no máximo).

Independentemente de quantas fossem, apenas duas suscitavam o meu interesse: a Débora e a Iara. As duas queriam "namorar" comigo (aquelas cenas de miúdos de 6 anos), e eu tinha que escolher com qual das duas queria namorar. A escolha não estava fácil, mas a ideia que eu tenho é que até estava um bocadinho inclinado para a Débora.

Mas a Iara tinha um "trunfo". A Iara tinha sete irmãos (sobretudo irmãs), todos mais velhos, e num dia qualquer, duas irmãs dela apareceram na primária. Não sei se era um dia especial ou se era um dia de aulas normal, mas elas já tinham sido alunas daquela escolha e a professora deixou-as estar lá. Provavelmente elas devem ter definido como objetivo para aquele dia fazer-me escolher a Iara. E usaram tudo o que podiam usar contra um miúdo de 6 anos: "ela vai ficar muito triste", "ela não vai falar mais contigo"... e se calhar bastou isso.

E pronto, convenceram-me. A partir desse dia comecei a "namorar" com a Iara. E supostamente namorei durante a primeira e segunda classes. Na terceira classe, num dos primeiros dias ela disse que não queria namorar mais comigo.

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O namoro consistia em beijinho na cara no dia dos anos dela (2 de outubro, não me esqueço), e alguns telefonemas para casa nas férias.

Mais tarde arrependi-me da escolha que fiz. A Débora acabou por sempre ser mais minha amiga: por exemplo quando fui operado aos pés, ela foi visitar-me a casa, coisa que a Iara nunca fez. Contudo, acho que o principal motivo que me fez arrepender de não ter escolhido a Débora foi outro.

Lembram-se da história do 5º/6º ano, onde eu ia dar beijinhos na cara atrás do pavilhão e fui repreendido por isso, achando a professora que eram beijos na boca? Nesse post creio que disse que havia um outro casal que dava mesmo beijos na boca... A rapariga desse casal era a Débora. Portanto, durante muito tempo pensei que se a minha escolha na primeira classe tivesse sido outra, a minha vida amorosa poderia ter levado um rumo totalmente diferente e provavelmente mais precoce, que para mim teria sido incrível enquanto adolescente.

 

Ou se calhar talvez não.. :P

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O desenho do sapateiro

por Samuel Garcia Portugal, em 19.04.16

Esta é uma história daquelas curtinhas, mas que também sempre ficou bem gravada na minha memória.

Fui um rapaz que com 5 anos já conseguia ler razoavelmente bem. Sabia bastantes regras e portanto entrei na primária já com algum "avanço" a esse nível.

O episódio terá ocorrido algures entre a primeira ou segunda classe. A tarefa era fazer um desenho, provavelmente relacionado com alguma história que ouvimos ou assim. Não me lembro do motivo. Lembro-me de ter decidido desenhar alguma cena que incluia um sapateiro. Então desenhei a "casa/loja" do sapateiro. Eu sempre fui muito mauzinho a fazer desenhos, mas lá desenhei a casita, e decidi escrever no telhado "SAPATEIRO", para identificar bem aquela construção.

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Mas eis que me lembrei: "Nós ainda não aprendemos como se escreve o 'r' em sapateiro! Eu já sei, mas como não aprendemos vou antes escrever SAPATO, para não fazer uma coisa que ainda não aprendemos."

Assim fiz, e fui mostrar o desenho à professora dizendo: "Escrevi SAPATO porque ainda não aprendemos a escrever SAPATEIRO.". E antes que tivesse tempo de explicar que eu sabia como era, e não queria era fazer coisas "à frente" do que tínhamos aprendido, ela respondeu-me "É com 'r' que escreves SAPATEIRO."

Não foi nada de especial, mas senti-me super injustiçado por ela não se ter apercebido que eu sabia. A partir daí decidi que nunca mais ia deixar de fazer aquilo que sabia para não parecer mais inteligente que os outros...

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publicado às 11:27

Tag: Liebster Award

por Samuel Garcia Portugal, em 12.04.16

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Bom, não era a minha intenção participar neste tipo de coisas. Nem sequer estava à espera do gentil convite da CC para participar. Mas visto que a intenção é descobrir novos blogs e partilhar coisas, vamos em frente.

 

As regras para receber o Award são:

  • Escrever 11 factos sobre nós próprios;
  • Responder às perguntas que nos colocaram;
  • Escolher entre 10 a 20 blogs com menos de 200 seguidores;
  • Fazer 11 perguntas a esses blogs nomeados;
  • Colocar a foto do Liebster Award no post;
  • Enviar o link do post a quem te nomeou

 

Portanto... 11 factos sobre mim:

  1. Sou ansioso por natureza. Vivo a pensar no próximo evento significativo da minha vida, seja ele bom ou menos bom.
  2. Odeio ir ao dentista. Tenho "traumas" de infância e a vida não me presenteou com bons dentes.
  3. Sou religioso. Considero-me católico praticante.
  4. Gosto de escrever. Mais ou menos óbvio, senão não estava aqui, mas também já compus as minhas músicas.
  5. Uma das primeiras profissões que quis ter foi ser professor de Matemática. Não foi no que me formei, nem é aquilo que exerço atualmente.
  6. Sou casado.
  7. Sou um "bocadinho" doente por futebol.
  8. Sou consumidor ávido de séries. Neste momento, de séries que ainda não acabaram, sigo mais de 15.
  9. Esqueço-me facilmente da maioria das coisas que acontecem nos livros que li/filmes que vi.
  10. Sou péssimo com nomes e datas (e caras já agora).
  11. Gosto de pensar que sou uma pessoa justa, mas tenho noção que nem sempre o consigo ser.

 

As 11 perguntas da CC:

1 - Quando começaste o blog?
Comecei o blog a 18 de fevereiro de 2016. Fresquinho portanto.

2 - Qual foi a tua maior tampa?
A que levei? Não me lembro de nenhuma em específico. Devido à minha insegurança só ia "na certa".

3 - Que tipo de pessoa mais te irrita?
As que têm a sua verdade como absoluta.

4 - O que é para ti algo muito injusto?
Algo muito injusto é, por exemplo, não se poder fazer o que se gosta na vida, mesmo que se seja muito bom nisso.

5 - Quem é a figura pública portuguesa mais ridícula/o para ti?
Há tantas... Mas acho que o José Castelo Branco ganha...

6 - Quem é o/a desportista mais jeitoso para ti?
Não me consigo lembrar de ninguém de cabeça. As tenistas normalmente são as mais jeitosas.

7 - Já planeaste a tua velhice?
Não. Não penso nisso por dois motivos. Não sei se chego lá e há tanta coisa que vai mudar até lá...

8 - Estás zangado com alguém?
Não que me lembre.

9 - Tens algum projecto na gaveta?
Tenho muitos, mas não acredito que nenhum saia de lá em breve.

10 - Gostas mais de doces ou salgados?
Acho que de doces. Mas é ela por ela.

11 - O que dizem os teus olhos? (NÃO RESISTI :-))
Dizem que sou mais transparente do que aquilo que devia, às vezes.

 

 

As minhas 11 perguntas:

1 - Porque decidiste responder a este desafio?

2 - O que te leva a escrever num blog?

3 - Se soubesses tudo o que sabes hoje, farias muitas coisas de maneira diferente na tua vida?

4 - Acreditas que os nomes ou os signos têm influência na personalidade das pessoas?

5 - O que achas que acontece depois de morreres?

6 - De que mais sentes falta no teu dia a dia?

7 - De que é que tens mais medo?

8 - O que é para ti um dia feliz?

9 - Onde gostavas de ir pelo menos uma vez na vida?

10 - Se tivesses dinheiro suficiente para não ter de trabalhar, o que farias da tua vida?

11 - O que vais fazer assim que saíres do computador? :P

 

 

Tenho que nomear blogs, portanto esperem que aceitem o desafio:

Alma Errante (Wandering Soul), Estado de (des)Graça, Um quarto para duas, … Até à lua, Conversa de Homens, O meu poema, A Estagiária, Crónicas de um Biscoito, Gene de traçaO Cliente Perfeito

 

Obrigado a todos ;)

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Primeira Paixão, Primeiro... Amor?

por Samuel Garcia Portugal, em 05.04.16

Aviso Prévio - Este post provavelmente vai ser bastante longo, mas eu acredito que vale a pena, especialmente para os interessados em seguir o blog.

 

Este foi um acontecimento que mudou a minha vida. Tão curto temporalmente, mas tão intenso. Foi um acontecimento daqueles que marca um "antes" e um "depois" na vida das pessoas.

Tinha 15 anos e tive a oportunidade de ir com um grupo (recreativo), ao Brasil, por um período de cerca de três semanas. Uma espécie de intercâmbio.

Tudo em mim queria aproveitar aquela experiência tanto quanto possível. Conhecer, viver, absorver tudo quanto pudesse. Era a minha primeira grande viagem para fora do país. Contava os dias para poder ir.

Na altura que fui de viagem, encontrava-me a... "namorar" com uma rapariga chamada Soraia. Uma história complicada que contarei noutro post, para encaixar nesta. Mas digamos que, de todas as relações a que chamei "namoro" aquela foi o que menos se assemelhou a isso. De qualquer maneira é relevante a informação.

Eu era dos mais novos do grupo. Apesar de ter bastante gente jovem, a maioria tinha idades entre os 16 e os 20 anos. Para os rapazes, estava a ser uma excitação pensar nas raparigas brasileiras, que tinham toda a fama que muita gente conhece de serem fáceis, ainda para mais com portugueses... É uma ideia que não se aplica a todas, mas posso dizer que há muitas que se encaixam nos dois estereótipos: tanto as que são efetivamente fáceis, como as que se deixam facilmente levar por um "portuga" tentando conseguir uma vida melhor na Europa do que no Brasil.

Contrariamente a tudo o que se podia esperar de mim, estava completamente alheado dessas situações. Não pensava minimamente nisso. Pela excitação da viagem em si, porque tinha tantas outras coisas para descobrir... e talvez porque, apesar de ser pinga-amor, sempre pensava nas relações a longo prazo, por mais curtas que algumas pudessem ter acontecido na minha vida. Eu era jovem e bastante imaturo, mas tinha algumas ideias bem formadas na minha cabeça.

Chegamos a uma quarta-feira e íamos ficar num grupo idêntico ao nosso que nos recebeu por lá. Algumas pessoas vieram receber-nos ao aeroporto. No caso, vieram umas três raparigas desse grupo brasileiro. O alvoroço entre os rapazes foi logo grande, mas eu praticamente nem me lembro de as ter conhecido.

Era uma loucura. Foi no fim de março, estava a começar o outono no Brasil. Estava quente, uns 30ºC... começou a chover. Fomos para o terraço da associação onde íamos ficar hospedados e tomámos banho de chuva. Isto só para dar uma ideia do clima de diversão que por ali havia.

Depois... Eu nem sei bem como as coisas se passaram. Lembro-me de alguns momentos chave. Estávamos sentados rapazes e raparigas, em cima do palco dessa associação a conversar. A trocar ideias, experiências, como eram as coisas lá e cá. E houve uma rapariga que me chamou à atenção, a Maria. Houve uma qualquer tema em que todos deram a sua opinião, e a nossa era absolutamente coincidente. Não saberíamos completar melhor as frases um do outro. Acho que foi aí que as coisas começaram. Pelo menos para mim. E depois fomo-nos descobrindo. Ela era 4 dias mais nova que eu. Tudo era um motivo para me sentir mais e mais atraído... E não havia nada de "físico" naquilo. Apesar de ela ser bonita, não era isso que me chamava. Cada vez mais as conversas faziam sentido, cada vez mais tinha vontade de estar com ela, falar com ela... E chegámos a sexta-feira.

Sim, foram três dias, se calhar nem isso, mas estávamos num ambiente muito fechado. Eu costumava comparar muito aquilo com o Big Brother, pelo menos com o primeiro BB português que foi o que eu vi, e que provavelmente foi o mais genuíno deles todos. Num ambiente assim, em que as pessoas estão 24h sobre 24h umas com as outras, as coisas acontecem de uma maneira diferente, com uma intensidade diferente. Especialmente sabendo que aquilo tem um prazo de fim.

Nós estávamos no Rio de Janeiro, e nessa sexta-feira à noite iríamos viajar para São Paulo, de onde só voltaríamos no domingo. Como falávamos sobre situações amorosas, com toda a gente, ou quando estávamos só os dois, lembro-me que tínhamos falado sobre quem deveria dar o primeiro passo: rapazes ou raparigas. Ou se as raparigas deveriam dar o primeiro passo, no caso de o rapaz não dar. Lembro-me de ela ter dito qualquer coisa como "Acho que os rapazes devem dar o primeiro passo e tento esperar, mas se ele não der, eu serei capaz de dar". Mas eu não quis deixar aquela oportunidade passar e antes de irmos, disse-lhe como me sentia. E foi recíproco.

Foi um fim de semana... "doloroso", onde nem consegui aproveitar bem tudo como queria, tal era a vontade de voltar a estar com ela, de falar com ela. Não precisava de mais. A maioria do pessoal do grupo já se tinha apercebido que havia qualquer coisa e não me deixavam em paz: "estás com saudades dela, não é?" - diziam eles.

Voltamos no domingo, mas apenas na segunda-feira tive oportunidade de voltar a estar com ela. Tanta emoção, tanta coisa para dizer... Ela não queria que aquilo fosse demasiado público por causa dos pais dela, e eu compreendi. Estar numa... relação que tem um prazo de validade (não que todas não tenham, mas o daquela era incrivelmente curto), com alguém que ela tinha conhecido há 5 dias...

Nesse dia (creio que foi nessa segunda-feira) fomos com algumas pessoas ao shopping que havia perto de onde estávamos.

Fomos com mais algumas pessoas, mas rapidamente nos separarmos. Por um lado porque as outras pessoas tinham coisas específicas para comprar, por outro para estarmos mais à vontade. Andámos um bocadinho e ela diz para irmos para o piso de cima. Pareceu-me uma cena estranha, "mas isso não é o parque de estacionamento?" - disse eu. "Não, não te preocupes" - respondeu ela.

Que ingénuo este rapaz. Era mesmo o verdadeiro totó.

Mal chegamos, percebi que era o parque de estacionamento, mas não percebi logo o que se passava, até que ela me puxou para perto de uma parede e nos beijámos.

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Tudo parou.

Nunca tinha sentido nada assim. Ficamos lá cerca de 30, 45 minutos talvez, e depois voltamos para a associação.

Todo eu era um misto de emoções. Todo o tempo foi pouco para estar com ela. Não tinha telemóveis ainda, não sabia os dias em que ela poderia vir e estar connosco (comigo, vá) ou não. Muitas vezes nem ela sabia. Passei a maioria dos dias sempre à espera que ela aparecesse. Nuns tive sorte, noutros nem tanto.

Na altura em que lhe contei como me sentia por ela, ela perguntou-me se eu tinha alguém em Portugal. Eu, com medo de não ter a oportunidade de viver aquilo, disse que não. Mais tarde não fui capaz de lhe esconder a verdade e contei-lhe o que se passava. Foi um momento mais difícil na nossa curta relação, mas que ela soube compreender. Afinal, o que é uma relação começada por SMS e onde nem se esteve com a pessoa depois de ela começar? (Sim, foi assim com a Soraia, mas como disse, depois conto o resto.)

Houveram dias realmente muito bons. Eu sentia-me bem e nem queria pensar na possibilidade de ir embora. O fim da viagem foi-se aproximando rapidamente. Houve uma festa, meio que de despedida. Lembro-me de termos chorado. Lembro-me de ter chorado quando disse adeus, de dentro do autocarro que partia para o aeroporto.

Lembro-me de ter chorado ao ler a carta que ela pediu para alguém me entregar no avião.

Lembro-me de ter chorado muitas vezes em casa depois de ter chegado.

Lembro-me de, durante algum tempo ter tido a esperança que ela viesse viver para Portugal (estava dentro dos possíveis planos dela).

Lembro-me também de, às vezes esperar encontrá-la numa qualquer esquina, e descobrir que ela estava a viver cá.

Mantivemos o contacto. No início por carta e e-mail, depois mais por e-mail e outros meios eletrónicos. Umas vezes mais frequentemente, noutras mais espaçadamente.

A paixão foi, ficou a recordação com extremo carinho daquelas três semanas. Passaram-se 14 anos desde que isso aconteceu, por volta desta altura. Somos pessoas completamente diferentes, a vida moldou-nos de maneiras diferentes. Mas nada poderá apagar aquela história.

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publicado às 17:53


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